Saturday, June 11, 2016

Nunca Andarás Sozinho

 10. Nenhum mal te atingirá, nenhum flagelo chegará à tua tenda,

11. porque aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos.
12. Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.
13. Sobre serpente e víbora andarás, calcarás aos pés o leão e o dragão.
14. Pois que se uniu a mim, eu o livrarei; e o protegerei, pois conhece o meu nome.
15.Quando me invocar, eu o atenderei; na tribulação estarei com ele. Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória.
16..Será favorecido de longos dias, e mostrar-lhe-ei a minha salvação.” (Sl 90)

No versículo 11 aparece a palavra “caminhos”, Deus quer abrir caminhos para você e o caminho de Deus não é um beco sem saída. Nesse trajeto, você encontrará anjos que desarmem as armadilhas que estão à sua frente e pessoas que serão presentes para você. E quando encontrar esses anjos e pessoas, segure na mão deles, pois precisamos estar perto de pessoas que são ungidas pelo Senhor. Mas também em seu caminho encontrará leões, aos quais precisamos resistir. No versículo 13, Deus nos fala que temos de pisar sobre eles com nossos pés. Você é mais forte que o leão, e enquanto você ora, ele fica debaixo de seus pés.
Deus vai colocar muitos anjos e muitas pessoas de fé no seu caminho para que você possa prosseguir, mas também aparecerão muitos leões, fique firme na oração e pise na cabeça deles.
No caminho levamos muitas coisas, mas é preciso escolher o que levaremos, pois se levarmos muitas coisas, nos cansaremos repidamente. Há muitas pessoas encurvadas porque levam em sua bagagem muito ressentimentos, palavras malditas, mágoas. Mas em nossa mochila precisamos levar somente coisas boas.
“Da boca das crianças e dos pequeninos sai um louvor que confunde vossos adversários, e reduz ao silêncio vossos inimigos” (Sl 8,3). Traduzindo: O louvor dos filhos de Deus faz o diabo ficar mudo.

Um bom pacote cheio do louvor de Deus é a primeira coisa que iremos levar na nossa mochila. Louve a Deus e faça o inimigo se calar! Quando você louva ao Senhor, muda tudo, e essa linguagem o diabo não entende, então ele para de falar. O Salmo 90 diz que Deus prometeu que Ele estará conosco quando a tribulação chegar. Então quando chegar uma confusão, louve ao Senhor, coloque sua atenção em Deus.

“Meu Pai, eu não Te entendo, mas ainda assim confio no Teu amor”. Muitas coisas acontecem na nossa vida que não quereríamos, mas temos que confiar no amor do Pai. E quando acontecerem as coisas desencontradas, lembremo-nos do amor do Pai e que Ele cuida de nós. Quando passamos por uma tentação grande, o que pensamos é que Deus nos abandonou, mas Ele nunca nos abandona. Lembre-se desse amor e se encha de gratidão, pois Ele cuida de você até o fim.

A segunda coisa que temos de levar é um pacote de paz, pois Jesus Cristo é a nossa paz. E quando nós ficamos junto d'Ele eu recebo a Sua paz. Muitas vezes queremos solucionar os problemas e falamos demais, porque queremos resolver as coisas de tudo quanto é jeito. Jesus Cristo é a nossa paz, e quando a recebemos d'Ele para levarmos aos outros, sabemos levar a vida de uma forma serena. As coisas não têm de ser resolvidas de qualquer jeito, têm que ser resolvidas do jeito de Deus.

"Jesus partiu dali e retirou-se para os arredores de Tiro e Sidônia. E eis que uma cananéia, originária daquela terra, gritava: Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio. Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos vieram a ele e lhe disseram com insistência: Despede-a, ela nos persegue com seus gritos. Jesus respondeu-lhes: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Mas aquela mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: Senhor, ajuda-me! Jesus respondeu-lhe: Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos. Certamente, Senhor, replicou-lhe ela; mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos... Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada" (Mateus 15, 21-28).

Jesus foi descansar numa terra estrangeira, e uma mulher O seguia gritando. Não havia motivo para que ela gritasse, pois ali não havia uma multidão O seguindo, Ele estava numa cidade onde ninguém O conhecia. E essa mulher falava o tempo todo gritando, e Jesus não lhe respondeu, Ele não entrou no clima dela. Cristo sabia ficar "na d'Ele". Você sabe ficar na sua? Ou o clima toma conta de você, e quando percebe já está entrando numa briga?

A mulher gritava atrás de Jesus e Ele ficava na dele. Meu irmão, fica na sua. Deus nos ensina a ficar na paz, a agir no momento certo, a falar e a ouvir. E essa mulher gritava atrás de Jesus e os discípulos pediam que o mestre a despedisse pois ela estava perturbando com seus gritos. Mas uma hora essa mulher se dobrou diante de Jesus. E pediu “Senhor ajuda-me”, ela percebeu que quem precisava de ajuda era ela. Mas Jesus não facilitou e disse que não poderia dar pão aos cachorrinhos. Mas essa mãe era teimosa e continuou pedindo. Deus não nos dá migalhas, Ele nos dá um banquete.

Deus prepara a mesa para os seus filhos, Ele sabe nos preencher, nos satisfazer. Quando Jesus percebeu que aquela mulher descansou na fé, Ele disse: “seja feito conforme a sua fé”. Não tem lugar melhor neste mundo do que recomeçarmos nossa vida aos pés de Jesus. Enquanto você está com Ele, Ele chega onde você não pode chegar. A filha da mulher cananéia foi curada, enquanto ela estava aos pés de Jesus.

Quando estamos numa pior, Deus não nos cobra, não temos obrigação de paz, temos o direito de ter paz em Deus mesmo nos combates da vida. Não podemos sumir, mas podemos ter paz aos pés de Jesus.

Quem busca Deus em tudo, encontra Deus em tudo. Se você está com Ele, seu coração tem paz. Nós pés de Jesus sempre tem paz. Você pode estar no hospital, na sua casa, no seu trabalho, mas se você está nos pés de Jesus você terá paz.

Outra coisa que precisamos ter na nossa mochila é saber recomeçar. “O Senhor torna firmes os passos do homem e aprova os seus caminhos. Ainda que caia, não ficará prostrado, porque o Senhor o sustenta pela mão.” (Sl 36,23-24) Quando buscamos o que Deus tem para nós as vezes caímos. O Caminho de Deus é um caminho que se faz com uma cruz. No caminho do Senhor sempre há uma cruz a carregar. E as vezes temos a impressão que ela pesa demais. Mas não a carregamos somente com nossas forças. E as vezes caímos sim, mas a mão de Deus nos sustenta. Se você está caído no desânimo, Jesus é a tua força, levanta!

Quem recomeça um caminho, não o recomeça correndo, recomeça-o devagar. Jesus não toma sua mão para arrastá-lo, mas para sustentá-lo. Ele quer ser sua coragem, sua fortaleza. Cristãos não são super-heróis, cristãos são filhos de Deus que contam com Ele e vão além, mas que, às vezes, caem, mas recomeçam sempre.

Quando caímos, ficamos com medo de tentar novamente. Recomeçar com Jesus significa que você vai se levantar e acreditar. Levante e faça o que Deus lhe pede, Ele tratará as suas feridas. O Senhor só sabe trabalhar neste dia chamado hoje. Ele nunca o deixa para depois; por isso o recomece hoje. Olhe para frente, o que o Todo-poderoso tem para você é muito maior do que ficou para trás.

E para andarmos para frente e não ficarmos para trás, precisamos colocar na nossa mochila paciência com nós mesmos. Há pessoas que em vez de olhar para si e ver como Deus as vê, olham para si e se colocam para baixo. Pare de se sabotar! Quando conversar consigo mesmo se lembre daquilo que Deus colocou em você. Tenha a certeza de que o Pai do céu colocou em seu interior o Espírito Santo. Lembre-se d'Ele, quando conversar consigo mesmo se ajude, não se atrapalhe. Fale coisas que o levantem e não que o rebaixem. Traga à sua memória aquilo que lhe traz esperança. Muitos de nós só nos queixamos. Saiamos de casa louvando ao Senhor e não murmurando!

Nosso combustível é a esperança, os desafios estão aí para nos fazer lutar. Nossas conversas com nós mesmos precisam nos encher de Deus. O Salmo 41 mostra uma conversa de uma pessoa consigo mesma: “Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de louvá-lo”. Creia que isso que hoje o deprime se transformará em bênção. Espere em Deus e enquanto espera dobre seu joelho diante d'Ele e tenha paz em seu coração, diga palavras de bênçãos e O louve.


E a última coisa para colocar na mochila são redes. Os caminhos de Deus o levarão a ser um pescador de homens. No Reino dos céus você é pescador de vida. Jesus hoje pula para dentro da sua barca, ela não afundará mais. Pode ser que tenha passado os últimos anos tentando algo e parece que nada acontece. Mas hoje Jesus lhe fala para tentar novamente. Acredite na palavra de Cristo. Lance novamente as redes, mas lance-a acreditando. Lance as redes com a sua fé. Eu tenho certeza de que hoje Jesus lhe apresenta essas redes novas, que é a confiança. E a sua fé trará para perto de você o que parecia impossível ser alcançado.


Jesus coloca nas suas mãos redes novas: fé, confiança. Acredite e lance-as [suas redes] sobre sua casa, sua família, as pessoas que Deus quer que você cuide delas e acredite que vale a pena fazê-lo.

Padre Antônio José

Sob As Asas De Deus



Existem momentos em nossas vidas que mesmo perto das pessoas que nos amam, não encontramos refúgio, porque sequer percebemos o que se passa dentro de nós, não há alento.


Quando a dor é dentro, no mais profundo do nosso ser, nenhuma pessoa humana nos consola. Nestes momento precisamos de um refúgio, encontramos então a Deus.

Não há lugar em que você chegue que Deus não possa te alcançar. Hoje o Senhor te convida a estar com Ele.


Venha para o Senhor hoje, porque se você está perto Dele, então você não está sozinho, não está desprotegido.


Hoje esta promessa é para você: “Eu não te deixarei órfão.”


Não só crianças ficam órfãs, nós também nos sentimos assim muitas vezes. Nos sentimos órfãos de pessoas vivas . Mas esta promessa nos remete ao Amor de Deus que é eterno e acolhedor.


Hoje muitos cristãos acham que o maior desafio é amar aqueles que nos são difíceis, porém o desafio que antecede a esse é o de se deixar amar pelo Amado.


Não temos que ser super-heróis, muitas vezes esta postura nos leva a frieza e a dureza. Achamos até que temos que fazer muitas coisas pra Deus, porém Ele nos ama como somos, mesmo que eu não seja nota 10 no que eu faço, isso não é o importante, Ele nos ama e isso é fato.


Só vou conseguir amar as pessoas que estão ao nosso lado quando eu tocar verdadeiramente no amor de Deus.


Quando nos sentimos muito amados por Deus, nos sentiremos seguros para amar o outro. Deus trouxe você aqui para te lembrar que o amor Dele é grande e é pra sempre. Nesse amor você pode confiar.


Vivemos num mundo onde aprendemos a desconfiar de todo mundo, as pessoas prometem uma coisa e fazem outra, porém Jesus não volta atrás, foi Ele quem nos escolheu.


Ele não se enganou quando nos quis, Ele sabia quem éramos , o amor Dele não se gasta, um dia Jesus disse que nos amaria até o fim .

Deus quer que aprendamos com ele a abrir a s nossas asas. Quando uma cruz aparece em nossas vidas o Pai te convida a fazer como o filho, se abra, se lance, não desista, confie.


Quem passa pela cruz vai descobrir o que existe além da cruz.

Se você hoje está pregado numa cruz faça uma escolha ou você vai se debater nela e vai se machucar cada vez mais. Abra as asas, pois Deus não se esquece dos seus filhos.

O que você esta plantando na cruz você colherá, Deus tem algo para você além da cruz.


Espera em Deus, confia em Deus e lembra que a sentença de Deus para sua vida é de benção e de paz. As sentenças de Deus comandam a minha vida.

O que fazemos diante de uma porta fechada? Batemos. Foi o próprio Jesus quem nos deixou esta ordem. Do outro lado da porta fechada tem alguém que tem a chave da porta.


Jabez nasceu em meio as dores . Ele era um homem que tinha tudo para dar errado. Seu nome significava: ”Homem que nasceu em dores.”


Ele invocou o Deus de Israel mesmo apesar de suas dores: "E foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; e sua mãe deu-lhe o nome de Jabez, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz. Porque Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Se me abençoares muitíssimo, e meus termos ampliares, e a tua mão for comigo, e fizeres que do mal não seja afligido! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido." [1 Crônicas 4:9-10]


Deus respondeu esse homem e mudou a sua história. O livrou da aflição.

Quantas pessoas existem hoje que tem a impressão que na vida delas tem uma sentença, olhemos para Jabez, sua vida e sua fé nos mostram que Deus não nos abandona a nossa “sorte”

A palavra de Deus no dia de hoje lança sobre nós uma benção. Agarre-a!


Nossa árvore genealógica tem as raízes no céu, a nossa herança vem do Pai do Céu. E essa herança é o Espírito Santo, que cura, que nos levanta, que nos dá vida nova.


Quando Deus olha pra você, Ele não vê um motivo de dores, ao contrário, Ele vê um filho, uma filha amada. Existe um querer de Deus para acontecer na sua vida. Use a sua herança, alimente-se do Espírito Santo.

Padre Antônio José

Thursday, June 9, 2016

Armas contra o inimigo

Tua Palavra, Senhor, é mais penetrante que uma espada de dois gumes. Toca-nos, agora, Senhor, para que tua Palavra possa trazer a vitória sobre qualquer espírito mal que queira nos enganar.

Eu acho que todos devem saber o que os romanos faziam quando derrotavam um império ou um general. O vencedor entrava de forma triunfante em Roma. E em meio àquela entrada triunfal, o general era aplaudido, louvado. E o general derrotado era amarrado à carruagem do vencedor. E isso era o máximo de humilhação para quem que havia sido derrotado.


  Se olharmos Colossenses 2,15, Paulo usa esse mesmo fato para falar da derrota do inimigo de Deus. Já foi dito várias vezes que o demônio já foi derrotado. Não precisamos temer nada. É verdade que o maligno é como um leão que ruge à nossa volta, tentando achar uma brecha e nos devorar. Mas por que ele continua a entrar nesse campo de batalha, uma vez que já foi derrotado? A intenção dele é diminuir a força do reinado de Jesus. Satanás continua a tentar enfraquecer aqueles filhos e filhas de Deus que fazem parte do Reino. E a experiência de muitos é essa: “Por que depois que comecei a seguir Jesus tenho mais tentações, me sinto mais oprimido que antes, e tenho mais crises?”
Muitas pessoas, muitos cristãos, uma vez que tomam a decisão de seguir ao Senhor pensam que vão ter uma vida mais tranqüila. Mas a verdade é o contrário, pois o demônio não tem interesse em atacar os que não são seguidores de Jesus. O interesse dele é colocar obstáculos na vida daqueles que decidiram seguir o Senhor. Tanto mais eu “subo a montanha”, mais descubro que as dificuldades são grandes. Os cristãos são as pessoas mais atacadas. Até mesmo os santos o foram.
Não estranhe se, vocês que seguem a Jesus, começam a sentir mais problemas, mais ataques. Isso não é motivo de nos levar a uma crise. Não temos porquê temer o inimigo, pois ele já foi derrotado. O demônio é que tem de ter medo de você, de mim. A razão é simples. Porque nós somos filhos e filhas de Deus, herdeiros do Reino. Ele tem muita raiva, porque aquilo que foi dado a ele uma vez, agora é dado para nós. Ele tem raiva, tem ódio por causa disto. Ele odeia a cada um de nós. Ela faz tudo para nos enganar, para que a gente possa voltar desencorajado, desanimado. Ele tenta nos enganar de várias maneiras.
Mas tem uma coisa, uma técnica que ele usa freqüentemente para nos atacar. É o desânimo, o desencorajamento. Ele também usa essa “carta do baralho” com os santos. O desânimo não vem de Deus, sempre vem do inimigo, daquele que nos faz desistir de ir em frente.
Vamos olhar para Padre Pio de Pietrelcina. Quando um analista do Vaticano disse que ele era um psicopata, este santo entrou numa crise tremenda. Ele olhou para os estigmas dele e se questionou se tudo era falso. Madre Teresa de Calcutá, no seu leito de morte, também viveu uma grande crise ao sentir o amor de Deus longe dela. O bispo teve de enviar um exorcista até ela e convencê-la de que aquele sentimento de não-amor não vinha de Deus.
É muito normal que também nós vivamos esses momentos de crise. Seguir Jesus num momento de entusiasmo é fácil, mas continuar O seguindo nos momentos de sofrimento, isso sim é difícil. O inimigo virá tentá-lo quando você estiver se sentindo fraco, cheio de medos, com raiva, ansiedade, tristeza.
A Renovação Carismática Católica é baseada no louvor a Deus. O inimigo de Deus é como um rato dentro de um duto. Você não o vê. Ele age durante a noite, esconde-se sem que ninguém o veja. Mas imagina se eu derramar uma chaleira de água quente lá onde ele está, ele vai ter de sair do buraco. E é isso que a RCC está fazendo para perturbá-lo. Está derrubando “água fervendo” sobre ele [o inimigo de Deus], através do louvor a Deus. Quanto mais louvamos a Deus, tanto menos ele não consegue suportar isso.
É nosso papel lutar contra essas táticas que ele usa para nos desanimar. A tática que ele também usa é nos apresentar meias verdades, porque o demônio é um mentiroso, enganador, trapaceiro. Ele nos apresenta algo que parece muito bom, quando, na verdade, é muito ruim.
O maligno diz que por causa dos seus pecados, você não consegue fazer nenhuma tentativa para ser mais santo. Mas eu posso tentar vencer a tentação pelo poder que vem do alto, do Espírito Santo.
Muitas vezes nós pensamos que tentações são relacionados ao sexo, raiva, ódios. Essas são grandes tentações. Mas temos de estar atentos a uma grande tentação que é não fazer a vontade de Deus. O inimigo faz de tudo para que eu saia do caminho da vontade do Senhor. Ele ousou tentar Jesus a desobedecer ao Pai, quando O levou no alto do monte e mostrou-Lhe as cidades, dizendo que elas lhe pertenciam.

Com certeza, nos Parlamentos, Senado, Congressos há leis contra a vontade de Deus. E o inimigo diz que esses lugares pertencem a ele. A cidade em que eu vivo é uma cidade onde o inimigo é o senhor, ou Jesus o é? Se no meu bairro, o povo que habita está seguindo mais os valores do mundo do que de Deus, o inimigo diz que aquele bairro pertence a ele. O nosso papel é tirar essas pessoas da mão dele e entregá-las nas mãos de Deus.


  A tentação do inimigo a Jesus era muito atraente. O Pai dizia para Jesus ir para a cruz e o inimigo pedia para ele desobedecer ao Pai e ter aquelas cidades. Mas Jesus diz: “Afasta-te de mim, satanás. Eu adoro somente ao Pai”.
Irmãos e irmãs, será uma luta até o fim de nossa vida, mas se nós usarmos as armas não precisamos ter medo nenhum. A primeira arma é a Eucaristia. O inimigo treme diante da Eucaristia, porque ela é sinal de humildade, enquanto o inimigo luta para ter poder. Jesus quis por um momento aniquilar a Si mesmo, entrando nas espécies do pão e do vinho para ficar perto de nós. Se eu tivesse tempo aqui eu contaria para vocês os inúmeros milagres graças à Eucaristia.

Uma outra arma forte contra o inimigo é o Sacramento da Confissão. Este Sacramento é mais poderoso do que a própria oração do exorcismo.

  Quando eu falei o nome de Maria, numa certa vez, uma mulher possuída disse numa língua em latim, a qual ela não conhecia, por meio do inimigo: “Não mencione este nome”. O inimigo tem medo de Maria. Numa das orações de exorcismo, ele disse que tem muito medo da humildade de Maria. Temos que guardar Maria como nossa Mãe. Maria tem que nos acompanhar sempre.
Momentos de desânimo podem acontecer em nossas vidas. Quando isso acontecer se agarre a Maria. Um jovem teve uma visão que ele precisava construir uma barco para atravessar o oceano. Enquanto ele construía este oojeto as pessoas diziam que ele não iria conseguir e que ele não conseguiria vencer a fúria do mar. Até que aquele jovem terminou de construi-lo e começou a remar em direção à longa jornada no oceano. Mas um amigo disse a ele: “Meu amigo, tenha coragem. Seja forte!” E aquele jovem olhou somente para aquele homem que estava dando força para que ele continuasse. E toda vez que ele sentia o desânimo se aproximar ele se lembrava daquelas palavras do amigo.
Muitos poderão nos chamar de doidos, de loucos, mas há uma Maria que está gritando em nossos ouvidos: “Boa viagem! Não tenhais medo do inimigo. Não desanimem com as ondas revoltas do mar, porque a vitória é nossa. Uma vez que Jesus derrotou o inimigo, com Jesus, nós também o derrotaremos.”
Maria diz a nós, hoje: “Eu estarei com vocês. Não tenham medo. Vão em frente. Vocês serão vencedores!”

Maria, nós cremos em Ti, porque Tu és nossa Mãe. Nenhuma mãe deixará o filho em perigo sem dar a ele uma mão, sem ajudá-lo. Maria, sabemos que Tu estás conosco, e por causa de Ti nos sentimos seguros. Nós conseguiremos.

  Maria diz a nós: “Fazei tudo o que Ele vos disser. Vá em frente. Não desanime! Lembre das palavras de Jesus: ‘Eu sou, porque nada é impossível para aquele que crê’”.
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Frei Elias Vella

Franciscano conventual, líder da RCC na Ilha européia de Malta (seu país de origem) e um dos maiores exorcistas da atualidade;

Wednesday, June 8, 2016

Maria: modelo de louvor


Maria: modelo de louvor

O Magnificat nos faz viver cheios do Santo Espírito
A mulher e homem de louvor têm total adesão ao Senhor. Deus, de toda a eternidade, chamou o homem para o Seu louvor; essa é a nossa vocação, o nosso chamado. Infelizmente, o homem se afastou da glória por conta do pecado; mas Deus, como é fidelidade, quer salvá-lo desse mal [pecado]. A nossa vida precisa se tornar um eterno louvor. Aquela pessoa, que é chamada por Deus para o louvor, deve escolher a melhor parte. Qual é parte que você tem escolhido? Qual é o centro da sua opção? Isso toca na base da nossa história, muitas escolhas são feitas para a superficialidade.

Só pode amar quem realmente faz uma experiência com Deus. Peça ao Altíssimo a graça de uma visão sadia da vida. Esse louvor que nos alcança nos abre para o relacionamento, no qual nós vivenciamos a sinceridade, a verdade e a gratuidade; daí a comunidade se torna uma expressão de louvor.
Só o "homem novo" conhece o "canto novo" de louvor. Quem está preso canta um "canto velho", mas o "homem novo" canta com sua vida um "canto novo", em toda e qualquer circunstância.

Você foi criado para o louvor da glória de Deus, por isso não jogue o dom da sua vida fora! Seja você casado, consagrado, solteiro, seja em qual realidade de vida estiver, que você busque um coração unido a Deus, pois é próprio da alma que ama estar com o Amado.
O místico é aquele que, na intimidade, vai eleger o absoluto de Deus em Jesus Cristo. O místico é alguém aberto ao Espírito Santo. O místico, pela ação do Espírito Santo, faz do fiel que fala com Deus um orante, um homem de oração; do que fala a respeito de Deus, um teólogo; do que fala no lugar de Deus o Espírito Santo torna essa pessoa um profeta; daquele que fala em Deus o Espírito Santo o torna um místico, aquele que faz todas as coisas em Deus. Essa é a obra do louvor.

Como viver tudo isso? Precisamos de um modelo e a Virgem Maria é o nosso modelo. Mergulhemos na vida de Nossa Senhora para entender como se manifesta esse louvor. A Santíssima Virgem é modelo porque ela é toda transparente a Deus; aquele que quer viver o louvor da glória de Deus precisa ser uma pessoa transparente. Maria é modelo do anúncio profético da Igreja e para a Igreja. O "Magnificat", cantado por ela, expressa tudo isso. O "Magnificat" é o verdadeiro kairós, um tempo novo instaurado na história.

"E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, 47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, 48. porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, 49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. 50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. 51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. 52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. 53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. 54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre" (Lc 1,46-56)

Para onde está voltado o olhar da Virgem Maria? Totalmente fixado em Deus. Aquela, que acreditou, está com o olhar totalmente voltado para o Todo-poderoso. Você cantou o "Magnificat" com sua alma elevada ao Senhor? Se seu olhar está perdido é preciso colocá-lo sob o olhar d'Aquele que é o Absoluto, o Senhor; Ele recolhe sua alma e a lança no infinito, que é Ele.

Maria se volta para o Senhor, que é três vezes santo. É uma manifestação tão profunda que tudo silencia, por isso, para ser louvor, é preciso fazer a experiência do silêncio que nos cala. Maria é modelo de louvor porque está toda voltada para Deus Pai.

Diante do Altíssimo a criatura se conhece na verdade. Ela tem um coração que vivencia o autoconhecimento. É dessa forma que Nossa Senhora se sente no "Magnificat", olhada por Deus e ao mesmo tempo pequena. Permita hoje que o Senhor o olhe com amor. Maria se sente olhada e alcançada pelo amor de Deus, essa é a experiência do autêntico louvor. O conhecimento de si sem o conhecimento de Deus geraria o desespero. Quantas pessoas desesperadas há, porque experimentam a incapacidade diante da vida e por não conhecerem a Deus se desesperam.

A Santíssima Virgem Maria é a exaltação mais pura do conhecimento de Deus e de si. É a alegria, o júbilo da criatura amada pelo Criador. O "Magnificat" é um falar no Espírito, que não se pode compreender a não ser n'Ele mesmo [Espírito Santo de Deus].
O "Magnificat" não é apenas para ser recitado, mas vivido, é um cântico que nos faz viver cheios do Santo Espírito, cheios da graça de Deus! O caminho está vazio de si. Sem pequenez não existe o mais belo louvor de Deus. O belo louvor brota dessa experiência.
Seja livre e dócil. As palavras do Cântico de Maria ["Magnificat"] mostram o verdadeiro louvor e é decisivo porque o Messias chegou. O coração orante de Virgem Santíssima entoa tudo isso. Vamos orar como Nossa Senhora. Se o seu olhar hoje não está voltado para Deus é tempo de voltá-lo para o Senhor.


Padre Eliano

Fraternidade Jesus Salvador

Tuesday, June 7, 2016

Por que precisamos de cura interior?


Por que precisamos de cura interior?



Realizar constantemente a reconciliação com nós mesmos, com os outros e com Deus


 “Aceitar livremente obedecer e ser dócil é caminho para a maturidade: tornar-se adulto psicologicamente e, sobretudo, adulto em Cristo” (monsenhor Jonas Abib).
A cura interior não só é importante como também é necessária: precisamos ser curados, Deus quer nos curar plenamente; por meio dela somos restaurados na nossa personalidade. Ela é a chave para a cura plena da pessoa. Cada dia é um dia de surpresas que o Senhor nos reserva; podemos confiar e nos abrir, sem medo, à ação do Espírito Santo.
Como saber se eu preciso de cura interior? Onde eu preciso de cura interior? São questionamentos fundamentais que nós – à luz do Espírito Santo – precisamos nos fazer, buscando o discernimento e o diagnóstico. Se um médico é cuidadoso em fazer um diagnóstico ao seu paciente, quanto mais nós precisamos ter cuidado com o diagnóstico das emoções nossas e das pessoas. É preciso se abrir ao Espírito Santo, agir, em Nome de Jesus, para o bem, porque o Senhor trabalha para o bem, para todos aqueles que O amam. Seguir o exemplo de Cristo, que passou pela terra fazendo o bem, libertando as pessoas do poder de satanás: é preciso concluir esse trabalho, é preciso ter fé e compaixão.
As etapas para viver bem esse processo:
“É fundamental colocar em ordem nossa vida passada, toda ordem tem sua estrutura na cruz de Jesus”. A cruz é e será sempre a chave de leitura da nossa história de salvação. É necessário realizar a paz dentro de nosso interior. Em nossa história realizar constantemente a reconciliação com nós mesmos, com os outros e com Deus. Visitar o passado requer uma mudança, não olhamos para trás e aceitamos. Para o homem espiritual todas as situações de sua vida lhe fazem perguntas: “Quem está comigo?” “O que Deus quis me falar?” “O que aprendi?”. Como é possível reler nossa história de salvação e transformá-la num bem? Em Cristo o Pai já realizou toda essa transformação. É necessário, pois:
1) Aceitação: Capacidade de recordar os fatos, pessoas. Jesus entra no profundo de cada um e o descobre, com amor. Ex.: Samaritana. Nenhum fato de minha história é um absurdo.
2) Reconciliação: Com a própria história, para eliminar toda negatividade. Acolher as realidades como presença misteriosa de Deus. “Quantas vezes devo perdoar?” nem tanto a quantidade do perdão, mas a qualidade deste ato. Só se pode perdoar olhando para a cruz, para o Crucificado. Recordar, sob a memória credente de Jesus, me faz recordar sem dor, mas sob a luz do Espírito: “Fazei isto em memória de mim”. Todo meu passado posso recordar sob a cruz, ela faz ativar a memória.
3) Transformação: Quando a pessoa intui a positividade das coisas, ainda que negativas. Nossa história deve ser escrita e revista como um memorial, nunca como um diário, mas celebrando: “Deus estava presente, neste, naquele momento…”. Fé histórica: encontro o Senhor em cada momento, em cada fase. No Juízo Final o Altíssimo nos perguntará: “O que você fez com a minha presença na sua história?” Encontrar o rosto do Senhor, Ele que se manifestou das mais diferentes maneiras.
Vera Lúcia Reis

(artigos@cancaonova.com
Verinha é missionária celibatária da Comunidade Canção Nova. Trabalha na formação dos membros da comunidade e formada em Teologia)

O fermento de Deus cura todo o medo

O fermento de Deus cura todo o medo


Existia um esforço constante de Jesus, em conduzir primeiro os discípulo e depois o povo a uma experiência interna e não externa. Por isso, Jesus alerta os discípulos dizendo: “Cuidado com o fermento dos fariseus”. 


No Evangelho de São Lucas 11,37, podemos compreender melhor o porquê desta exortação tão dura de Jesus para com os discípulos, porque na Palavra de Deus não tem só palavras bonitas, mas também passagens duras que nos exortam. Toda religiosidade dos Judeus estava baseada em ritos externos e por isso aquele fariseu ficou admirado porque Jesus não lavou as mãos. Não é que Jesus era mal educado, mas o assunto era mais profundo. É nesse contexto que Jesus vai anunciar a hipocrisia dos fariseus. Onde nós usamos o fermento? É no interior da massa que vai o fermento.



A hipocrisia para os gregos tinha o mesmo significado de um ator, e o artista era chamado de hipócrita, porque em uma encenação ele usava varias máscaras. E Jesus estava dizendo que os fariseus estavam se escondendo atrás das máscaras. O esforço de Jesus era conduzi-los para uma experiência interior. Ele estava convidando os discípulos a fazerem uma experiência de dentro para fora, isso chama-se cura interior. É deixar que o fermento de Deus me faça crescer, porque o que nos faz crescer é o que está dentro. 



O Senhor quer conduzir os discípulos a uma experiência de cura interior, e este é o caminho: Tirar as máscaras, porque não só os gregos, mas também nós as colocamos. Este caminho de cura é exatamente de revelar quem está por detrás da máscara.

Qual é a função de uma máscara? É esconder quem fica por trás. Sabia que muitos palhaços só tem coragem de ser palhaços porque usam uma máscara? E muitos de nós, nos comportamos como verdadeiros palhaços no trabalho, em casa e nos nossos relacionamentos.


Sabe quem foi a primeira pessoa que tentou se esconder atrás de uma máscara? Foi Adão e Eva. (ref. Gênesis 3). Adão e Eva com medo de Deus se esconderam atrás de uma árvore, e o próprio Senhor os conduz a um caminho de cura para mostrar a eles o que tinham feito. E aqui tem um segredo de cura. O processo deles se esconderem teve uma causa e não foi o pecado, pois mesmo eles pecando Deus vai ao encontro deles. O que eles tiveram foi medo, e por isso com medo se esconderam.



A raiz de todas as máscaras que usamos, muitas vezes, é o medo de ficarmos sozinhos, medo da solidão, morte, medo de que as pessoas não nos respeitem... Se você me disser o seu medo eu lhe direi que máscara você usa. Por isso o Senhor nos pergunta hoje, qual é o medo do nosso coração?



Cura interior é o processo de ir revelando os nossos medos, porque não há nada oculto que não venha a ser revelado. Este é o processo que eu e você devemos passar. Qual é o medo que você tem? São traumas que você traz na sua história que te fizeram criar máscaras? E como é que estes medos são revelados? Pelo fermento que todo cristão tem dentro de si que é o Espírito Santo que cada um recebeu. Este é o selo que fala a primeira leitura, o fermento da vida de todo cristão. É preciso deixar que este fermento se misture com a nossa história e rompa com a dobradinha do medo e das máscaras que fomos criando para nós. 

Se não sabemos identificar o medo, não saberemos como começar o caminho de cura interior, que não é uma mágica, ou que eu fico na passiva e as pessoas vem e realizam o trabalho por mim. O processo é ter coragem de entrar na canoa onde eu remo de um lado, e o outro remo é do Espírito Santo. É preciso força, a minha vontade, porque no outro remo está a graça de Deus.



Cura interior é um processo que só aceita quem é humilde e entende que é preciso tempo e espera, não é automático. Em cada situação é preciso ir remando um pouco mais, porque a cura interior não acontece na força do medo, mas na força do amor. Se o medo ensina esconder, o amor ensina revelar.

                                                                                                                      
Padre Fabrício Andrade
Sacerdote missionário da Comunidade Canção Nova

Monday, June 6, 2016

Que a Saúde se Difunda Sobre a Terra

Que a Saúde se Difunda Sobre a Terra


“A fraternidade e a Saúde Pública”
(Campanha da fraternidade 2012)


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Campanha da Fraternidade, desde o ano de 1964, como itinerário evangelizador para viver intensamente o tempo da quaresma.
A Igreja propõe como tema da Campanha deste ano: “A fraternidade e a Saúde Pública”, e com o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8). Deseja assim, sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de Saúde Pública condizente com suas necessidades e dignidade. É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas.
A Igreja, nessa quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da Saúde Pública e levar os discípulos-missionários a serem consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte...


 Que a saúde se difunda sobre a Terra


144. Os significados de saúde e de salvação, ao longo da história, são convergentes e sempre apresentaram uma relação profunda. Em diversas línguas, os termos nasceram de uma raiz única e, por muito tempo, partilharam a mesma palavra. Em geral, saúde e salvação significaram plenitude, integridade física e espiritual, paz, prosperidade. Evidência disso é que, nas grandes romarias, o povo em sua fé sempre pede, mas também agradece pela cura e saúde alcançada. Não é algo que somente aconteceu no passado, pois ocorre ainda hoje.

145. No Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (Aparecida – SP), por exemplo, há a famosa ‘sala das promessas’, no linguajar da teologia erudita, mas ‘dos milagres’  na linguagem da fé simples do povo. Aí estão milhões de objetos ‘sacramentais’ (fotos, roupas, velas, peças anatômicas em cera de todos os tamanhos), verdadeiros presentes do povo para a ‘Mãe da Saúde’, que nos revelam histórias de salvação de perigos, acidentes, sofrimentos afetivos, doenças incuráveis, enfim da morte! Corações agradecidos deixam sua marca de ‘ação de graças’ pela cura e salvação alcançada.

146. As religiões sempre ofereceram respostas à busca de um sentido para a existência e seus grandes desafios, particularmente em relação à dor, ao sofrimento, ao mal e à morte, que afligem a humanidade indistintamente. Nesse sentido, procuremos ouvir não só os ensinamentos bíblicos, como também os, da teologia e da prática pastoral da Igreja, a fim de iluminar esta questão vital para todos.

147. E, que pela convergência de todos os olhares para Jesus Cristo, que liberta e salva, a saúde se difunda sobre a Terra.

Saúde na antiguidade e na Bíblia                                                                  

148. Desde muito cedo, a humanidade empenhou-se em conservar a saúde e vencer as doenças, além de lhes atribuir diferentes conceitos e explicações. Para muitos povos, a doença resulta da ação de forças alheias ao organismo que se instalam na pessoa por causa da desobediência a certas normas sociais, por erros cometidos em vidas passadas, por castigo de alguma divindade ofendida, pela ação de demônios ou maus espíritos.

149. Por outro lado, consideram que as divindades podem curar o mal, o que supõe diagnósticos, práticas e receitas curativas associadas, quase sempre, a esconjurações mágicas, que são concebidas como remédios em uma esfera na qual atuam os deuses e todos os tipos de entidades intermediárias. Assim, é comum, em diversas culturas, o recurso à religião e à magia na busca de sentido para a vida, a doença e a saúde, indicando profunda relação entre doença e religião.

Doença e saúde no Antigo Testamento

150. A bíblia hebraica, já nas primeiras páginas, apresenta a origem do mal e do sofrimento, mas descartando qualquer possibilidade de participação divina. No decorrer da caminhada do povo hebreu, outros conceitos e outras justificativas foram sendo desenvolvidos a respeito de doença e do sofrimento, que passaram a ser vistos como consequência do pecado e da desobediência à Lei. Assim, a preservação da saúde, mais do que a cura da doença, é obtida pela observância da lei de Deus. Em uma passagem do Livro do Deuteronômio (cf. Dt 28,1-14), a bênção prometida para quem observa a lei de Deus é uma situação de bem-estar, saúde e prosperidade.

151. Porém, quem não a observa terá a maldição, a infelicidade, as doenças, a opressão (cf. Dt 28,15ss). A doença é vista como castigo de Deus ao pecado do ser humano, por isso, somente eliminando a causa da doença, ou seja, o pecado, pode-se obter novamente de Deus a saúde. Dessa forma, a preservação da saúde é obtida pela observância da Lei, enquanto a cura e o perdão dos pecados, como dois lados da mesma moeda, são obras de Deus que concedia aos que o pediam na prece.

152. Houve um tempo em que, entre os judeus piedosos, o fato de recorrer aos médicos era visto como falta de fé no Deus vivo e verdadeiro, pois a doença era compreendida como uma forma de punição por parte de Deus. É o que se percebe no segundo livro das Crônicas que denuncia o rei Asa por não ter recorrido ao Senhor, mas ter buscado médicos e morrido rapidamente (cf. 2Cr 16,12). Para certos problemas físicos, eram os sacerdotes que deviam ser consultados, visto que eles diagnosticavam os sintomas, orientando o tratamento para a pessoa, bem como os rituais de purificação a serem seguidos.

153. O livro do Eclesiástico considera a doença como o pior de todos os males (cf. 30,17), um mal que faz perder o sono (cf. 31,2). O povo judeu entendia que a falta de saúde estava intimamente ligada com a culpa, o pecado. A cura para as doenças deveria ser obtida, em primeiro lugar, pela oração (cf. 2Sm 12,15-23). Vários salmos são de doentes que suplicam a Deus a cura. Segundo Carlos Mesters, “cura e perdão dos pecados parecem duas faces de uma mesma moeda: ambos vêm de Deus mediante a prece. Porém, o Eclesiástico também propõe um novo modo de compreender a doença e, sobretudo, estimula um comportamento diferente na busca do restabelecimento da saúde. Se antes, recorrer à medicina e a seus profissionais era visto como falta de fé no Deus Altíssimo, o Eclesiástico considera os remédios, os médicos e a ciência como possibilidades de cura que vêm do próprio Deus e, consequentemente, devem ser buscados quando necessário”.


Fonte: www.franciscano.org.br