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Saturday, June 4, 2016

O PEQUENO PASSARINHO



O passarinho quereria voar para o Sol brilhante que lhe fascina o olhar;
Quereria imitar as Águias, suas irmãs, que vê elevarem-se até ao fogo divino da Santíssima Trindade... Pobre dele! tudo quanto pode fazer é agitar as suas pequenas asas; mas levantar voo, isso não está no seu pequeno poder! Que será dele? Morrerá de desgosto, ao ver-se impotente?... Oh, não! o passarinho nem sequer se vai afligir. Com um audacioso abandono, quer ficar a fixar o seu divino Sol. Nada seria capaz de o assustar, nem o vento nem a chuva; e se nuvens sombrias chegam a esconder o Astro do Amor, o passarinho não muda de lugar, pois sabe que para além das nuvens o seu Sol brilha sempre, e que o seu brilho não se poderia eclipsar nem por um instante sequer.
É verdade que às vezes o coração do passarinho se vê acometido pela tempestade; parece-lhe não acreditar que existe outra coisa, a não ser as nuvens que o envolvem. É então o momento da alegria perfeita para a pobre e débil criaturinha. Que felicidade para ela, permanecer ali, apesar de tudo, e fixar a luz invisível que se esconde à sua fé!!!...
Jesus, até agora compreendo o teu amor para com o passarinho pois ele não se afasta de Ti. Mas eu sei, e Tu também o sabes, muitas vezes a imperfeita criaturinha, ficando embora no seu lugar (isto é, sob os raios do Sol), deixa‑se distrair um pouco da sua única ocupação; apanha um grãozito à direita e à esquerda, corre atrás de um vermezito... Depois, encontrando uma pocita de água, molha as penas ainda mal formadas; quando vê uma flor que lhe agrada o seu espírito entretém-se com essa flor... Enfim! não podendo pairar como as Águias, o pobre passarinho entretém-se ainda com as bagatelas da terra. Não obstante, depois de todas as suas travessuras, em vez de se ir esconder num canto para chorar a sua miséria e morrer de arrependimento, o passarinho volta-se para o seu Bem‑amado Sol, expõe as asitas molhadas aos seus raios benfazejos, geme como a andorinha e, no seu doce cantar, confia, conta em pormenor as suas infidelidades, pensando, no seu temerário abandono, conseguir assim maior influência e atrair mais plenamente o amor d’Aquele que não veio chamar os justos mas os pecadores... Se o Astro Adorado continuar surdo ao chilrear plangente da sua criaturinha, se permanecer velado..., pois bem: a criaturinha continua molhada, aceita ficar transida de frio, e ainda se alegra com esse sofrimento que, aliás, mereceu...
Ó Jesus! como o teu passarinho está contente por ser débil e pequeno. Que seria dele se fosse grande?... Nunca teria a audácia de aparecer na tua presença, de dormitar diante de Ti... Sim, aí está mais uma fraqueza do passarinho: quando quer fixar o Divino Sol, e as nuvens o impedem de ver um único raio, contra sua vontade os seus olhitos fecham-se, a sua cabecinha esconde-se debaixo da asita, e a pobre criaturinha adormece, julgando fixar ainda o seu Astro Querido. Ao acordar, não fica desolado, o seu coraçãozinho fica em paz, e recomeça o seu ofício de amor. Invoca os Anjos e os Santos que se elevam como Águias em direcção ao Fogo devorador, objecto do seu desejo.
E as Águias, compadecendo-se do seu irmãozinho, protegem-no, defendem-no, e põem em fuga os abutres que o queriam devorar. Os abutres, imagem do demónio, o passarinho não os teme, pois não está destinado a ser presa deles, mas da Águia que contempla no centro do Sol do Amor.
Por tanto tempo quanto quiseres, ó meu Bem-amado, o teu passarinho ficará sem forças e sem asas; permanecerá sempre com os olhos fixos em Ti. Quer ser fascinado pelo teu divino olhar, quer tornar‑se a presa do teu Amor... Um dia, assim o espero, Águia adorada, virás buscar o teu passarinho e, subindo com ele para o Fogo do Amor, mergulhá‑lo‑ás eternamente no ardente Abismo desse Amor, ao qual se ofereceu como vítima...
( Santa Teresinha- História de uma Alma, Ms B 5rº-vº)
"Sinto, sobretudo, que a minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o Bom Deus como eu amo, de indicar às almas minha pequena trilha. Se o Bom Deus atender meus desejos, meu Céu se passará na terra, até o fim do mundo. Sim, quero passar meu Céu a fazer o bem na terra”
(Santa Teresinha- História de uma alma)
1º de Outubro Festa de Santa Teresinha

Friday, June 3, 2016

SANTA IRMÃ MARIA FAUSTINA KOWALSKA

SANTA IRMÃ MARIA FAUSTINA KOWALSKA
A Irmã Faustina Kowalski, apóstola da Misericórdia de Deus conhecida em todo o mundo,   é considerada pelos teólogos como uma pessoa que faz parte de um grupo de notáveis místicos   da Igreja. Nasceu no dia 25 de agosto de 1905, como a terceira dos dez filhos numa pobre mas piedosa família de aldeões, em Glogowiec (Polônia). No batismo, que se realizou na igreja paroquial de Swinice Warskie, recebeu o nome de Helena. Desde a infância distinguiu-se pela piedade, pelo amor à oração, pela diligência e obediência, e ainda por uma grande sensibilidade à miséria humana. Apesar de ter frequentado a escola por menos de três anos, no DIÁRIO por ela deixado, numa linguagem extremamente transparente, descreveu exatamente o que queria dizer, sem ambiguidades, com muita simplicidade e precisão.

Nesse DIÁRIO, escreve ela a respeito das vivências da sua infância:

 “... eu senti a graça à vida religiosa desde os sete anos. Aos sete anos de vida ouvi pela primeira vez a voz de Deus em minha alma, ou seja, o convite à vida religiosa, mas nem sempre fui obediente à voz da graça. Não me encontrei com ninguém que me pudesse esclarecer essas coisas”.

Aos dezesseis anos de idade, deixou a casa paterna para ir trabalhar como empregada doméstica em Aleksandrów, perto de Lodz, a fim de angariar meios para a subsistência própria e ajudar
os pais. Nesse tempo o desejo de ingressar na vida religiosa aos poucos ia amadurecendo nela. Visto que seus pais não concordavam com tal decisão, Heleninha procurou sufocar em si
o chamado divino.

Anos depois, escreveria em seu DIÁRIO:

 “Numa ocasião, eu estava com uma de minhas irmãs num baile. Enquanto todos se divertiam a valer, a minha alma sentia tormentos interiores. No momento em que comecei a dançar, de repente vi Jesus a meu lado, Jesus sofredor, despojado de Suas vestes, todo coberto de chagas e que me disse estas palavras: Até quando hei de ter paciência contigo e até quando tu me decepcionarás? Nesse momento parou a música animada, não vi mais as pessoas que comigo estavam, somente Jesus e eu ali permanecíamos. Sentei-me ao lado de minha irmã, disfarçando com uma dor de cabeça o que se passava comigo. Em seguida, afastei-me discretamente dos que me acompanhavam e fui à catedral de S. Estanislau Kostka. Já começava a anoitecer e havia poucas pessoas na catedral. Sem prestar atenção a nada do que ocorria à minha volta, caí de bruços diante do Santíssimo Sacramento e pedi ao Senhor que me desse a conhecer o que devia fazer a seguir. Então, ouvi estas palavras: Vai imediatamente a Varsóvia (Polônia) e lá entrarás no convento. Terminada a oração, levantei-me, fui para casa e arrumei as coisas indispensáveis. Da maneira como pude, relatei a minha irmã o que havia acontecido na minha alma. Pedi que se despedisse por mim de meus pais e assim, só com a roupa do corpo, sem mais nada, vim para Varsóvia” (Diário, 9).

Em Varsóvia (Polônia), procurou um lugar para si em diversas comunidades religiosas, mas em todas foi recusada. Foi somente no dia 1 de agosto de 1925 que se apresentou à Congregação
das Irmãs da Divina Misericórdia, na Rua Zytnia, e ali foi aceita. Antes disso, para atender às condições, teve que trabalhar como empregada doméstica numa família numerosa na região
de Varsóvia, para dessa forma conseguir o enxoval pessoal.

Ela descreveu em seu DIÁRIO os sentimentos que a acompanhavam após ter ingressado
na vida religiosa:
“Sentia-me imensamente feliz, parecia que havia entrado na vida do paraíso.

O meu coração só era capaz de uma contínua oração de ação de graças” (Diário, 17).

Na congregação recebeu o nome de Irmã Maria Faustina. Realizou o noviciado em Cracóvia e foi ali que, na presença do bispo Estanislau Rospond, professou tanto os primeiros votos religiosos como, passados cinco anos, os votos perpétuos de castidade, pobreza e obediência. Trabalhou em diversas casas da Congregação, porém permaneceu mais tempo em Cracóvia (Polônia), Vilna (Lituânia) e Plock (Polônia), exercendo as funções de cozinheira, jardineira
e porteira. Exteriormente nada deixava transparecer a sua profunda vida mística. Ela cumpria assiduamente as suas funções, guardando com zelo a regra religiosa. Era recolhida e silenciosa, embora ao mesmo tempo fosse desembaraçada, serena, cheia de amor benevolente
e desinteressado para com o próximo
.

O severo estilo de vida e os extenuantes jejuns que ela se impunha antes ainda de ingressar na Congregação enfraqueceram tão severamente seu organismo que já no postulado teve de ser encaminhada para tratamento de saúde. Após o primeiro ano do noviciado vieram as experiências místicas extremamente dolorosas – da chamada noite escura, e depois os sofrimentos espirituais e morais relacionados com o cumprimento da missão que havia recebido de Jesus Cristo.
Irmã Faustina ofereceu a sua vida a Deus em sacrifício pelos pecadores, a fim de salvar as suas almas, e por essa razão foi submetida a numerosos sofrimentos. Nos últimos anos de vida intensificaram-se as enfermidades do organismo: desenvolveu-se a tuberculose, que atacou   os pulmões e o trato alimentar. Por essa razão, por duas vezes, durante alguns meses, permaneceu em tratamento no hospital.

Completamente esgotada fisicamente, mas em plena maturidade espiritual e misticamente unida a Deus, faleceu no dia 5 de outubro de 1938 com fama de santidade, tendo apenas 33 anos de idade, dos quais 13 anos de vida religiosa (Notas do Diário de santa Irmã Faustina).





A Espiritualidade Eucaristica de Santa Faustina
Que esta breve reflexão alimente nossa espiritualidade eucarística, de modo a podermos dizer, como Santa Faustina, “O meu espírito (...) estava inflamado de especial amor para com a Eucaristia” (n. 160). Roguemos a Jesus Misericordioso a graça de compreendermos aquilo que João Paulo II nos ensinou: “A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja” (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 1).
À medida que aprofundamos a espiritualidade de Santa Faustina, percebemos o destaque dado à Eucaristia. Evidência desse fato é o grande número de vezes que o tema aparece no Diário: 9 vezes encontra-se a palavra “Eucaristia”, 2 vezes “Sagrada Comunhão” e 159 vezes “Santa Comunhão”. Evidentemente, não importa a estatística, mas o amor de Faustina a Jesus Eucarístico. Não se pode explorar aqui toda a riqueza da espiritualidade eucarística de Santa Faustina. Vamos nos contentar com 7 aspectos:

1) Na Eucaristia, Faustina encontra sua força: “Todas as manhãs, na meditação preparo-me para a luta durante o dia todo, e a Santa Comunhão é a garantia de que vencerei, e assim acontece. Tenho medo do dia em que não tenho a Santa Comunhão. Esse Pão dos Fortes me dá toda a energia para levar adiante essa obra e tenho coragem de cumprir tudo o que o Senhor exige. A coragem e a força que estão em mim não me pertencem, mas sim Àquele que mora em mim: a Eucaristia” (n. 91).

2) Na Eucaristia, Faustina faz a experiência pessoal da misericórdia de Deus:“Em determinado momento, eu desejava muito receber a Santa Comunhão, mas, porque tinha uma certa dúvida, não fui comungar. Sofri terrivelmente por essa razão (...) Quando fui trabalhar, cheia de amargura no coração, de repente, Jesus colocou-se ao meu lado e disse-me: Minha filha, não faltes à Comunhão, a não ser quando tiveres a certeza de que pecaste gravemente (...) As tuas pequenas faltas desaparecerão no Meu amor como uma palha jogada num grande braseiro” (n. 156).

3) Na Eucaristia, Faustina faz a experiência da proximidade com Deus: “Durante a Santa Comunhão, a alegria inundou a minha alma. Sentia que estou estreitamente unida com a Divindade; a Sua onipotência envolveu todo o meu ser. Ao longo do dia senti a proximidade de Deus de uma maneira especial e, embora as obrigações, durante todo este tempo, não me permitissem ir por um momento sequer à capela, não houve momento em que eu não estivesse unida com Deus” (n. 346).

4) Na Eucaristia, Faustina faz a experiência da presença permanente de Deus:“Jesus, quando vindes a mim na Santa Comunhão, Vós que Vos dignastes residir com o Pai e o Espírito Santo no pequeno céu do meu coração, procuro fazer-Vos companhia o dia todo, não Vos deixo sozinho, nem por um momento” (n. 486).

5) Na Eucaristia, Faustina faz a experiência do amor ao próximo: “Quando recebo a Santa Comunhão, peço e suplico ao Salvador que cure a minha língua, para que eu nunca ofenda o amor ao próximo” (n. 590).
 6) Na Eucaristia, Faustina aprofunda a dimensão mariana de sua espiritualidade:“Estou vivendo este tempo com a Mãe de Deus, preparando-me para a solene vinda do Senhor. E Nossa Senhora me instrui sobre a vida interior da alma com Jesus, especialmente na Santa Comunhão” (n. 840). E ainda, em outra passagem: “Hoje senti a proximidade de minha Mãe, da Mãe do Céu, embora antes de cada Santa Comunhão eu peça com fervor a Nossa Senhora que me ajude na preparação da minha alma para a vinda de Seu Filho” (n. 1114).

7) Na Eucaristia, Faustina faz a experiência de sua pequenez diante de Deus:“Tenho medo da vida, nos dias em que não recebo a Santa Comunhão. Tenho medo de mim mesma. Jesus, oculto na Hóstia, é tudo para mim. Do Sacrário tiro força, vigor, coragem e luz. Aí busco alívio nos momentos de aflição. Eu não saberia dar glória a Deus, se não tivesse a Eucaristia no meu coração” (n. 1037).

Que esta breve reflexão alimente nossa espiritualidade eucarística, de modo a podermos dizer, como Santa Faustina, “O meu espírito (...) estava inflamado de especial amor para com a Eucaristia” (n. 160). Roguemos a Jesus Misericordioso a graça de compreendermos aquilo que João Paulo II nos ensinou: “A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja” (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 1).

Pe. Ednilson de Jesus, MIC
Cantarei a misericórdia do Senhor pelos séculos
Diante de todo o povo
Porque ela é o maior atributo de Deus,
E, para nós, um milagre sem fim.

 Jorras da trindade Divina,
Mas de um só amoroso seio;
A misericórdia do Senhor se manifestará na alma
Em toda a plenitude, quando cair o véu.
Da fonte da Vossa misericórdia, Senhor,
Flui toda a felicidade e vida,
Por isso, (Vós) todas as criaturas e seres
Cantai enlevados a canção da misericórdia.
As entranhas da misericórdia divina foram abertas para nós
Pela vida de Jesus, estendido na cruz;
Não deves duvidar, nem desesperar, pecador,
Mas confiar na misericórdia, porque também tu podes ser santo.


Duas fontes jorraram em forma de raios
Do coração de Jesus,
Não para os Anjos, Querubins ou Serafins,
Mas para a Salvação do homem pecador.

(Santa Faustina- diário 522)
  
SANTA IRMÃ MARIA FAUSTINA KOWALSKA
(1905-1938)
Festa 05/10
Santa Faustina, rogai por Nós!

Thursday, May 26, 2016

Desejo de uma União Com Jesus - Tão Profunda, que Ele só Viva e Aja na Alma

Desejo de uma União Com Jesus - Tão Profunda, que Ele só Viva e Aja na Alma

Julgo necessário, minha Madre, fornecer-vos ainda algumas explicações sobre a passagem do Cantares: “ _ Atraí-me, correremos”, por me parecer pouco compreensível o que quis dizer: “ Ninguém, declarou Jesus, pode vir a mim, se MEU PAI, que me enviou, o não atrair. Em seguida, em sublimes parábolas, e alguma vez sem recorrer sequer a esse meio tão familiar ao povo, ensina-nos que basta bater, para que abram; buscar, para que encontrem; estender humilde a mão, para conseguir o que se pede... Diz ainda que tudo quanto se peça a seu Pai em nome DELE, será concedido pelo Pai. Por isso sem dúvida, o Espírito Santo, antes do nascimento de Jesus, ditou esta súplica profética:  _ Atraí-me, correremos.

Em que consiste, pois, pedir que seja atraído, senão que a gente se uma, de modo íntimo, ao objeto que cativa o coração? Se o fogo e o ferro raciocinassem, e o último dissesse ao primeiro: Atraí-me-  não provaria que se quer identificar com o fogo, de molde a ser penetrado e entranhado por ele, e com ele parecer constituir uma só coisa? Assim é minha oração, Madre muito amada. Peço a Jesus me atraia às chamas de seu amor, me una tão estreitamente a ele, que seja ele quem vive e atua em mim. Noto que quanto mais o fogo do amor me abrasar o coração, tanto mais exclamarei: Atraí-me! – Tanto mais, também, as almas que se aproximarem de mim (pobre e minúsculo escombro de ferro inútil, se me arredar do divino braseiro), correrão lépidas ao odor  dos perfumes de seu Bem- Amado, pois a alma abrasada de amor não consegue permanecer inativa. Como Santa Madalena, conserva-se indubitavelmente aos pés de Jesus, a escutar-lhe a palavra doce e ardente. Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, a qual se atormentava com muitas coisas, e queria que a irmã a imitasse.

Não são as ocupações de Marta que Jesus censura. A tais ocupações, sua divina Mãe humilde se sujeitou toda a sua vida, pois tinha que preparar as refeições para a sagrada família. Queria apenas corrigir a inquietação de sua ardorosa hospedeira. Isto foi compreendido por todos os Santos, de modo mais particular, talvez, pelos que encheram o universo com a luminosidade da doutrina evangélica. Não foi na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus hauriram a ciência divina, que arrebata os maiores gênios? Disse um Sábio: “ Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, que  levantarei  o mundo de seus eixos.” O que Arquimedes não pode alcançar, porque sua solicitação não se dirigia a Deus e se colocava num ponto de vista material, obtiveram- no os Santos em toda a sua plenitude. Como ponto de apoio, deu-lhes o Todo-poderoso a SI MESMO, E SÓ A SI MESMO; como alavanca: a oração, que incandesce com o fogo do amor, e foi desta maneira que soergueram o mundo. Assim é que os Santos ainda militantes o soerguem, e os Santos vindouros o soerguerão, e até o fim do mundo.

Minha querida Madre, quisera agora explicar-vos o que entendendo por odor dos perfumes do Bem-Amado  . Dado que Jesus se elevou ao Céu, só posso segui-lo pelos vestígios que deixou. Mas, como são luminosos tais vestígios, como são recendentes! Basta lançar um olhar sobre o Santo Evangelho, e logo respiro os perfumes da vida de Jesus, e sei para que lado correr... Não é para o primeiro lugar, é para o último que me dirijo. Em vez de postar-me na frente como fariseu, repito cheia de confiança, a humilde súplica do publicano. Sobretudo, porém, imito o procedimento de Madalena, sua admirável, ou melhor, sua amorosa audácia, que encanta o Coração de Jesus, e seduz o meu. Sim percebo que, se me pesassem na consciência todos os pecados possíveis de cometer, iria, com o coração partido de arrependimento, lançar-me aos braços de Jesus, pois sei quanto ama o filho pródigo * que a ele retorna. Não é por ter Deus, em sua proveniente misericórdia, preservado minha alma de pecado mortal, que me elevo até ele pela confiança e pelo amor.

 * Nota de rodapé: Não ninguém poderia amedrontar-me, pois sei como teria de haver-me com seu amor e com sua misericórdia. Sei que toda essa multidão de ofensas se desfaria num piscar de olhos, como uma gota de água lançada num braseiro ardente.
Narra-se, na Vida dos Padres do Deserto, que um deles converteu uma pecadora pública cujos desmandos escandalizavam toda a redondeza. Movida pela graça, a pecadora seguia o Santo ao deserto, para ali fazer rigorosamente penitência, quando na primeira noite da viagem, antes de chegar ao lugar de sua reclusão, romperam-se-lhes os laços mortais com o ímpeto de seu arrependimento cheio de amor. No mesmo instante, o eremita divisou sua alma levada pelos anjos ao regaço de Deus.
Eis aí um exemplo bem frisante daquilo que eu quisera dizer, mais tais coisas não podem ser externadas...

(Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, História de uma alma: manuscritos autobiográficos.)

Wednesday, May 25, 2016

Infinita Bondade de Deus ao enviar-nos Seu Filho Unigênito

 Infinita Bondade de Deus ao enviar-nos Seu Filho Unigênito
Deus, que não condenaste o homem após a queda, mas na Vossa misericórdia, lhe perdoaste; perdoaste como Deus, isto é, não somente lhe tirastes a culpa, mas lhe concedestes todas as graças. Fostes levado pela misericórdia e Vós mesmo Vos dignastes descer até nós e nos  levantar da nossa miséria . Deus descerá à Terra, o imortal Senhor dos Senhores se rebaixará. Mas aonde descereis, Senhor? Será ao templo de Salomão? -  Ou mandareis que Vos seja construído um novo santuário, aonde pretendais descer? – Ó Senhor que santuário Vos prepararemos, se a Terra toda é o Vosso escabelo? – Vós mesmo preparastes um santuário para Vós – a Santíssima Virgem. O Seu Seio Imaculado é a Vossa morada e nela se realiza o inconcebível milagre da Vossa misericórdia, Senhor. O Verbo se faz carne: Deus habitou entre nós, o Verbo de Deus- a Misericórdia encarnada. Pela Vossa descida nos elevastes  à  Vossa divindade. É o excesso do Vosso amor, é o abismo da Vossa misericórdia. Assombram-se os Céus com esse excesso do Vosso amor. Agora ninguém teme aproximar-se de Vós. Sois o Deus de misericórdia, tendes compaixão da nossa miséria. Sois nosso Deus, e nós, o Vosso povo. Sois nosso Pai e nós, Vossos filhos pela graça. Bendita seja a Vossa misericórdia por Vós terdes dignado descer até nós.


Sede bendito, Deus misericordioso,

Por Vos terdes dignado descer dos céus à terra!
Nós Vos glorificamos (em) grande humildade
Por Vos terdes dignado elevar todo o gênero humano

Em Vossa misericórdia insondável, inconcebível,
Por amor a nós tomais um Corpo
Da Virgem Imaculada, pelo pecado jamais tocada,
Porque assim o quiseste desde os séculos.

A Santa Virgem, esse Lírio  branco como a neve,
É a primeira a bendizer o poder da Vossa Misericórdia:
Seu Coração puro abre-se com amor à vinda do Verbo,
Crê nas palavras do mensageiro divino e (na) confiança se confirma.
Admirou-se o céu que Deus se tornou homem,

Que existe na terra um coração digno do próprio Deus
Por que não vos unis com o Serafim, Senhor, mas com o pecador?
Oh! Porque esse é o mistério da Vossa misericórdia,
Apesar  das puras entranhas do ventre da Virgem.

Ó  mistério da misericórdia divina, ó Deus de piedade,
Por Vos terdes dignado abandonar o trono do céu
E rebaixar- Vos à nossa miséria, à fraqueza humana,
Porque não são os anjos, mas os homens que necessitam de misericórdia.

Para dignamente exprimir a misericórdia do Senhor,
Unimo-nos com a Vossa Mãe Imaculada,
Porque então o nosso hino Vos será mais agradável-
Porque Ela é a escolhida dentre os anjos e homens.

Por Ela, como por um cristal puro,
Passou para nós a Vossa misericórdia;
Por Ela, o homem se tornou agradável a Deus;
Por Ela, nos descem as torrentes de todas as graças.



(Santa Faustina, Diário 1745-1746)


Ave Maria, cheia de Graça....(3x)

Tuesday, May 24, 2016

Alegrai-Vos Sempre no Senhor

 Alegrai-Vos Sempre no Senhor

O Apóstolo manda que nos alegremos, mas no senhor, não no mundo. Pois afirma a Escritura: A amizade com o mundo é inimizade com Deus (Tg 4,4). Assim como um homem não pode servir a dois senhores, da mesma forma ninguém pode alegrar-se ao mesmo tempo no mundo e no Senhor.

Vença, portanto, a alegria no Senhor, até que termine a alegria no mundo. Cresça semprea alegria no Senhor; a alegria no mundo diminua até acabar totalmente. Não sequer dizer com isso que não devamos alegrar-nos, enquanto estamos neste mundo; mas que, mesmo vivendo nele, já nos alegremos no Senhor.

Noentanto, pode alguém observar: “Eu estou no mundo; então, se me alegro,alegro-me onde estou”. E daí? Por estares no mundo, não estás no Senhor? Escuta o mesmo Apóstolo, que falando aos atenienses, nos Atos dos Apóstolos, dizia arespeito de Deus e do Senhor, nosso Criador: Nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28). Ora, quem está em toda parte, onde é que não está? Nãofoi para isto que fomos advertidos? O Senhor está próximo! Não vos inquieteis com coisa alguma (Fl 4,5-6).

Eis uma realidade admirável; aquele que subiu acima de todos os céus, está próximo dos que vivem na terra. Quem está tão longe e perto ao mesmo tempo, senão aquele que por misericórdia se tornou tão próximo de nós?
Na verdade, todo o gênero humano está representado naquele homem que jazia semimorto no caminho, abandonado pelos ladrões. Desprezaram-no, ao passar, o sacerdote e o levita; mas o samaritano, que também passava por ali, aproximou-se para tratar dele e prestar-lhe socorro. O Imortal e Justo, embora estivesse longe de nós, mortais e pecadores, desceu até nós. Quem antes estava longe, quis ficar perto de nós.

Ele não nos trata como exigem nossas faltas (Sl 102, 10), porque somos filhos. Como podemos provar isto? O Filho único morreu por nós para deixar de ser único. Aquele que morreu só, não quis ficar só. O Unigênito de Deus fez nascer muitos filhos de Deus. Comprou irmãos para si com seu sangue. Quis ser condenado para nos justificar; vendido, para nos resgatar; injuriado, para nos honrar; morto, para nos dar a vida.

Portanto, irmãos, alegrai-vos no Senhor (Fl 4,4) e não no mundo; isto é, alegrai-vos com a verdade, não com a iniqüidade; alegrai-vos na esperança da eternidade, não nas flores da vaidade. Alegrai-vos assim onde quer que estejais e em todo o tempo que viverdes neste mundo. O Senhor está próximo! Não vos inquieteis com coisa alguma.

(Dos sermões de Santo Agostinho)

Na Dimensão do Céu

Na Dimensão do Céu

Não Vos deixarei orfãos

"Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, esse é que Me ama. E aquele que Me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-Me-ei a ele "

São João 14:21

Sabe quando a palavra de Deus ti transporta para o centro de tudo que tu és, e ali ficas a percorrer seus pensamentos e ações, desnudando-se por completo de tantas sensações, no meio a muitas convenções deste mundo corrupto que quer nos atingir de todas as formas... Ali, bem neste centro que percebo o toque de Deus, o agir de Deus. O quanto Ele nos quer de Volta, caminhando em sua direção. O quanto nos quer para Si e o quanto não desiste de nós... Inflamando-nos com a sua força,com a sua presença sobre o nosso sentir, cauterizando as nossas feridas, estancando as nossas hemorragias e nos pedindo para reagir. E sobre esse sopro divino nos diz: Levanta-te, segue o caminho e sinta na dimensão do céu que Estou Contigo!

Senhor,

Ensina-me a buscar cada vez mais o seu amor. Rege as minhas palavras e acima de tudo o meu sentir... Proteja-me sempre em seu coração!

Gisele Pontes

"Feliz o homem cujo socorro está em vós, e só pensa em vossa santa peregrinação. Quando atravessam o vale árido, eles o transformam em fontes, e a chuva do outono vem cobri-los de bênçãos. Seu vigor aumenta à medida que avançam, porque logo verão o Deus dos deuses em Sião..."

Salmo 83 :6-8

Teu desejo é a tua oração

 
Meu coração grita e geme de dor (Sl 37,9). Há gemidos ocultos que não são ouvidos pelos homens. Contudo, se o coração está possuído por tão ardente desejo que a ferida interior do homem se manifesta em sons externos, procuramos a causa dizemos a nós mesmos: talvez ele tenha razão de gemer, e talvez lhe tenha sucedido algo. Mas quem pode compreender esses gemidos, senão aquele a cujos olhos e ouvidos eles se dirigem? Por isso diz: Meu coração grita e geme de dor. Porque os homens, se ouvem às vezes os gemidos de um homem, ouvem freqüentemente os gemidos da carne; mas não ouvem o que gemem em seu coração.

E quem seria capaz de compreender por que grita? Escuta o que diz: Diante de vós está todo o meu  desejo (Sl 37,10). Não diante dos homens, que não podem ver o coração, mas diante de vós está todo o meu desejo. Se, pois, o teu desejo está diante do Pai, ele, que vê o que está oculto, te recompensará.

Teu desejo é a tua oração; se o desejo é contínuo, também a oração é contínua. Não foi em vão que o Apóstolo disse: Orai sem cessar (1Ts 5,17). Será preciso ter sempre os joelhos em terra, o corpo prostado, as mãos levantadas, para que ele nos diga: Orai sem cessar? Se é isto que chamamos orar, não creio que possamos fazê-lo sem cessar.

Há outra oração interior e contínua: é o desejo. Ainda que faças qualquer outra coisa, se desejas aquele repouso do Sábado eterno, não cessas de orar. Se não queres cessar de orar, não  cesses de desejar.

Se teu desejo é contínuo, a tua voz é contínua. Ficarás calado, se deixares de amar. Quais são os que se calaram? Aqueles de quem foi dito: A maldade se espalhará tanto, que o amor de muitos esfriará (Mt 24,12).

O arrefecimento da caridade é o silêncio do coração; o fervor da caridade é o clamor do coração. Se tua caridade permanece sempre, clamas sempre; se clamas sempre, desejas sempre; se desejas, tu te recorda do repouso eterno.

Diante de vós está todo o meu desejo. Se o desejo está diante de Deus, o gemido não estará? Como poderia ser assim, se o gemido é a expressão do desejo?

Por isso o salmista continua: Meu gemido não vos é oculto (Sl 37,10). Não é oculto para Deus, mas é oculto para a multidão dos homens. Ouve-se por vezes um humilde servo de Deus dizer: Meu gemido não voa é oculto e vê-se também esse servo sorrir. Era por que o desejo está morto em seu coração? Se o desejo permanece, também permanece o gemido; este nem sempre chega aos ouvidos dos homens, mas nunca está longe dos ouvidos de Deus.

-- Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo (século V)